Carta de Dom Gil, aos Catolicos sobre as eleiçoes

No próximo mês de outubro, novamente a nação brasileira é convocada para as eleições. Somos chamados a exercer nosso dever de cidadãos para designar, segundo a nossa consciência, quem deve ser o Presidente da República, o Governador do Estado e os que devem nos representar no Congresso Nacional como Senadores e Deputados Federais e na Assembléia Legislativa como Deputados Estaduais.

Inserida no mundo, a Igreja tem a missão de iluminar as consciências de seus fiéis a partir da Palavra de Deus, a fim de que o cristão participe da vida do País com espírito de corresponsabilidade e contribua para um mundo mais fraterno, mais justo, mais solidário. A Igreja Católica tem já provado ser “perita em humanidade”, “mãe e mestra” na busca de soluções pacíficas e ordeiras para as questões sociais. Seguindo a evolução da história, há mais de um século, vem codificando sua Doutrina Social.

Como Arcebispo, Pastor desta Igreja de Juiz de Fora, no espírito do Sínodo Arquidiocesano, desejo oferecer ao Povo de Deus nela presente algumas reflexões, à luz do Evangelho e do Magistério da Igreja, com o único objetivo de auxiliar na escolha dos melhores candidatos que possam promover o

bem comum, possibilitando condições de vida digna para o povo brasileiro.

 1. DEVE A IGREJA SE ENVOLVER COM POLíTICA?

A esta interrogação podemos responder em duas direções: negativa e afirmativamente. Ela não deve se meter em política partidária, nem se deixar instrumentalizar por interesses ideológicos, nem por estratégias de partidos ou de candidatos. Mas deve, sim, participar da vida política enquanto ajuda a promover o bem comum e luta contra a corrupção e o mau exercício do poder na sociedade. Ela deve colaborar para que seus membros sejam pessoas conscientes e participativas na vida comunitária.

Em vários documentos encontramos luzes que nos ajudam a entender a forma desta participação.

No número 76 da Gaudium et Spes (Vatícano 11), observamos que a Igreja “respeita e promove também a liberdade política e a responsabilidade dos cidadãos”. Na Carta Apostólica Octagesima Adveniens (n. 46), Paulo VI escreve “a política é uma maneira exigente – se bem que não seja a única – de viver o compromisso cristão a serviço dos outros”. No documento de Puebla (n. 544), aparece “a fé cristã não despreza a atividade política, pelo contrário, a valoriza e a tem em alta estima”. O Catecismo da Igreja Católica (números 1902 e 1903) diz que a política é a busca do bem comum, consistindo no respeito pela pessoa, na exigência do bem-estar social e na existência de uma ordem justa, segura e duradoura. O Papa Bento XVI, em sua primeira encíclica sobre o amor cristão (Deus Caritas est, n. 29), oferece orientações importantes para a ação política: “O dever imediato de trabalhar por uma ordem justa na sociedade é próprio dos fiéis leigos. Estes, como cidadãos do Estado, são chamados a participar pessoalmente da vida pública, assumindo funções legislativas e administrativas que se destinam a promover orgânica e institucionalmente o bem comum”.

A Igreja não tem a pretensão de intrometer-se na Política, não aspira participar da gestão dos assuntos temporais, nem propõe programas de Governo. “A Igreja não pode nem deve tomar nas suas próprias mãos a batalha política nem deve pôr-se no lugar do Estado. Mas também não pode nem deve ficar à margem na luta política” (cf. Deus Caritas est, n. 28) .

A Igreja incentiva seus fiéis leigos que se sintam vocacionados à militância política, a se candidatarem e a lutarem por um mundo melhor, exercendo de forma honesta e Iímpida a função para a qual foram eleitos.

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2 Respostas to “Carta de Dom Gil, aos Catolicos sobre as eleiçoes”

  1. Raquel Says:

    Muito boa a colocação de D.Gil,como cristãos,através das pastorais podemos sim ajudar e alertar as pessoas.Aqui na nossa paroquia através da Pastoral da Saude , uma de suas dimensões é politica institucional,entramos firmes no conselho municipal de saude e com isto ajudamos a controlar,acompanhar e avaliar a politica de saude do municipio,trazendo uma qualidade de vida melhor as pessoas carentes de nossa comunidade.Só que não podemos nos deixar contaminar,convites existem,para sermos vereadores e outros cargos na prefeitura,mas como diz D.Gil:
    “Não devemos nos deixar instrumentalizar por interesses ideológicos, nem por estratégias de partidos ou de candidatos. Mas devemos , sim, participar da vida política enquanto ajuda a promover o bem comum e luta contra a corrupção e o mau exercício do poder na sociedade.”

  2. Livraria Papiros Says:

    “Ainda que a figueira não floresça,
    nem haja fruto nas vides;
    ainda que falhe o produto da oliveira,
    e os campos não produzam mantimento;
    ainda que o rebanho seja exterminado da malhada e nos currais não haja gado.
    Todavia eu me alegrarei no Senhor, exultarei no Deus da minha salvação.”

    Habacuque 3: 17e18

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