A consciência moral

 

Luís Eugênio Sanábio e Souza

              ESCRITOR

“No fundo da própria consciência, o homem descobre uma lei que não se impôs a si mesmo mas a ela deve obedecer; essa voz, que sempre o está a chamar ao amor do bem e fuga do mal, soa no momento oportuno, na intimidade do seu coração: faze isto, evita aquilo. O homem tem no coração uma lei escrita pelo próprio Deus; a sua dignidade está em obedecer-lhe, e por ela é que será julgado. A consciência é o núcleo mais secreto e o sacrário do homem, no qual se encontra a sós com Deus, cuja voz se faz ouvir na intimidade do seu ser” (Concílio Vaticano II: GS nº 16).

Considerando que só Deus, o Bem supremo, constitui a base irremovível e a condição insubstituível da moralidade, o memorável Papa João Paulo II explicou que “a consciência não é uma fonte autônoma e exclusiva para decidir o que é bom e o que é mau; pelo contrário, nela está inscrito profundamente um princípio de obediência relacionado com a norma objetiva, que fundamenta e condiciona a conformidade das suas decisões com os mandamentos e as proibições que estão na base do comportamento humano” (Papa João Paulo II : encíclica Veritatis splendor nº 60). Deste modo, o Bem supremo (Deus) e o bem moral encontram-se na verdade: a verdade de Deus Criador e Redentor e a verdade do homem criado e redimido por ele.
O ser humano tem o direito de uma justa liberdade para seguir o juízo certo de sua consciência, mas nos juízos da nossa consciência, sempre se esconde a possibilidade do erro. Pode acontecer que a consciência moral esteja na ignorância e faça juízos errôneos. Muitas vezes esta ignorância pode ser imputada à responsabilidade pessoal. É o que acontece quando o homem não se preocupa suficientemente com a procura da verdade e do bem, e a consciência pouco a pouco, pelo hábito do pecado, se torna quase cega. Neste caso, a pessoa é culpável pelo mal que comete. Se, ao contrário, a ignorância ou o julgamento errôneo não for da responsabilidade do sujeito moral, o mal cometido pela pessoa não lhe poderá ser imputado. Mas nem por isso deixa de ser um mal, uma privação, uma desordem. É preciso trabalhar, pois, para corrigir a consciência moral de seus erros.

Às vezes o homem depara com situações que tornam o juízo moral menos seguro e a decisão difícil. Vale então lembrar algumas regras que se aplicam a todos os casos: 1º) Nunca é permitido praticar um mal para que daí resulte um bem (o fim não justifica os meios); 2º) “Tudo aquilo que quereis que os homens vos façam, fazeio-os vós a eles” (Mateus 7,12); 3º) É preciso respeitar a consciência do próximo. É bom se abster de tudo o que seja causa de tropeço, de queda ou enfraquecimento para teu irmão.

Por fim, lembremo-nos da seguinte expressão dita por um memorável cardeal recentemente beatificado: “A consciência tem direitos, porque tem deveres” (Cardeal John Henry Newman, século XIX).

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