Papa Francisco pede a cristãos que combatam o mal com o bem

O Papa Francisco presidiu nesta sexta-feira sua primeira Via Crucis em Roma pedindo aos cristãos de todo o mundo que combatam o mal com o bem, como fez Jesus em seu sacrifício na Cruz.

“Queridos irmãos, a palavra da Cruz é também a resposta dos cristãos ao mal que segue atuando em nós e ao nosso redor. Os cristãos devem responder o mal com o bem, tomando sobre si a Cruz, como Jesus”.

“As vezes nos parece que Deus não responde ao mal, que permanece em silêncio, mas na realidade Deus está falando, respondendo, e sua resposta é a Cruz de Cristo: uma palavra que é amor, misericórdia, perdão”.

“Não quero acrescentar muitas palavras. Esta noite deve permanecer apenas uma palavra, que é a própria Cruz. A Cruz de Jesus é a palavra com a qual Deus respondeu ao mal do mundo”, disse o Papa argentino.

“Deus nos julga nos amando. Se aceito seu amor estou salvo, se o rejeito, estou condenado, não por ele, mas por mim, porque Deus não condena, ele apenas ama e salva”.

“Continuemos esta Via Crucis na vida diária. Caminhemos juntos pelo caminho da Cruz, caminhemos levando no coração esta palavra de amor e de perdão”. “Jesus nos ama tanto, é todo amor”.

O Papa, 76 anos, que foi recebido no Coliseu pelo prefeito de Roma, Gianni Alemanno, acompanhou da colina do Palatino a Via Crucis, sem percorrer a pé as 14 estações.

O Santo Padre agradeceu “o testemunho dos nossos irmãos do Líbano” que escreveram meditações e orações sobre temas da atualidade, a pedido de seu antecessor, Bento XVI.

O Papa saudou no Coliseu a amizade com os muçulmanos do Oriente Médio e relembrou a viagem ao Líbano de Bento XVI, quando “vimos a beleza e a força da comunhão dos cristãos daquela terra e da amizade de tantos de nossos irmãos muçulmanos e de muitos outros”.

Bento XVI encomendou as meditações lidas nesta Via Crucis ao patriarca da Igreja maronita libanesa, Bechara Rai, que por sua vez pediu a dois jovens a redação do texto.

Esta foi uma forma de destacar o drama que vive o Oriente Médio, com a guerra na Síria, a difícil coexistência entre muçulmanos e cristãos, e a fuga de muitos cristãos perseguidos da região.

“Que o sangue das vítimas inocentes seja a semente de um Oriente mais fraterno”, que volte a ser a “cunha das civilizações”, pediu uma das meditações.

Outra meditação rejeitou o “fundamentalismo violento e o laicismo cego que sufoca os valores da fé e da moral em nome da suposta defesa do homem”.

Mais cedo, o Papa Francisco celebrou a missa da Sexta-Feira da Paixão na Basílica de São Pedro.

Sob o ouro e o mármore da Basílica, o pregador da Casa Pontifical, o padre capuchinho Raniero Cantalamessa, comparou a Igreja a um “edifício antigo” e pediu que Francisco a “conduza à simplicidade e à linearidade de suas origens”.

Francisco, com fisionomia grave, vestido com a casula vermelha com as cores da Paixão, ouviu atentamente Cantalamessa, que declarou que esta missão havia sido confiada por Deus no século XIII a São Francisco de Assis, que teve seu nome retomado pelo 266º pontífice da Igreja Católica: “Vá e reforme a minha casa”.

“No decorrer dos séculos, para se adaptar às exigências do momento, os velhos edifícios foram enchidos de divisões, de escadas, de salas”. Mas as “adaptações” que se sucederam “não correspondem mais às exigências. É preciso ter a coragem de pôr tudo isso abaixo”, disse.

Ele enumerou os obstáculos ao anúncio do Evangelho: “Os muros divisores (…), o excesso de burocracia, os restos de aparatos, leis e controvérsias passadas, que se tornaram simples detritos”.

O Papa beijou o Cristo crucificado, que foi levado a ele, colocando suavemente a sua mão sobre a face de Jesus.

No sábado, o Papa seguirá com a Vigília Pascal, que celebra à noite a ressurreição de Cristo. Francisco batizará quatro adultos convertidos ao catolicismo: um albanês, um italiano, um russo e um americano de origem vietnamita.

Proximidade com os mais necessitados

Francisco, o primeiro jesuíta que chega ao trono de Pedro, deixou claro em pouco mais de duas semanas de pontificado que deseja uma mudança desta milenar instituição, cuja imagem foi manchada nos últimos anos por lutas internas de poder, abusos sexuais de menores por sacerdotes ou pela atividade econômica nebulosa do banco do Vaticano.

No entanto, os analistas preveem que não será fácil alcançar seus objetivos, devido à resistência dos que preferem manter o status quo.

Talvez, a mensagem mais contundente tenha sido dada pelo Papa na Quinta-Feira Santa. Demonstrando a importância da proximidade com os mais necessitados, Francisco se dirigiu ao centro de detenção de menores de Roma, “Casal del Marmo”, onde celebrou uma missa diante de quase cinquenta jovens – 35 meninos e 11 meninas de 14 a 21 anos – e lavou os pés de 12 deles em uma cerimônia que lembra a última ceia de Jesus com os doze apóstolos.

Ajoelhado no chão frio sobre um simples pano branco, Francisco lavou, secou e beijou os pés de dez meninos e duas meninas de diferentes nacionalidades detidos neste centro, dois deles muçulmanos, retirando esta cerimônia simbólica de seu ambiente habitual, a suntuosa basílica de São João de Latrão, na capital italiana, e de seus protagonistas habituais, os sacerdotes.

“Quem está no ponto mais alto deve servir aos outros”, “ajudar os demais”, disse o Papa, levando para o coração da Igreja de Roma um costume que, como cardeal, Jorge Mario Bergoglio costumava realizar na Argentina, sua terra natal.

Fonte: Yahoo

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